MEU LIVRO ENTRE O AMOR E O PUNHAL.
uma aventura no sertão nordestino
A NOITE DO ESTOURO.
O sertão
estava rachado.
A terra
parecia couro velho,estalando sob os pés de quem ousasse caminhar ao meio dia.O
vento levantava como alma penada pelas veredas secas.
Na fazenda
Riacho Fundo ,Maria das Dores olhava o horizonte tingido de laranja.o pôr do
sol no sertão sempre parecia incêndio. E naquela tarde , o coração dela
queimava do mesmo jeito.
_Pai ..eu
não quero esse casamento_ disse , a voz firme apesar dos olhos marejados.
Seu
Raimundo nem levantou o olhar as mãos
calejadas apertavam o chapéu de couro.
_Não é
questão de querer ,Dorinha . É questão de precisar. O coronel Firmino não
espera. Ou você casa com o filho dele...ou perdemos tudo.
Ela sentiu o
mundo encolher. Não era amor. Nunca seria.Era acordo Era dívida. Era sentença.
Antes que
outra palavra fosse dita, o silêncio do sertão foi rasgado.
Um
estampido, depois outro, cavalos, gritos.
_É
cangaceiro! –Berrou um dos vaqueiros ,correndo pelo terreiro.
O bando
surgia como uma miragem de pesadelo: chapéus de aba virada.cartucheiras
cruzando o peito, punhais reluzindo na luz do crepúsculo.
À frente
vinha ele. Antônio Moreno.
Os olhos
escuros varreram o terreiro até encontrarem os dela.
Foi rápido,
foi silencioso, Mas foi como se o mundo inteiro tivesse parado.
Ela não viu
o bandido.
Ele não viu
fazendeira.
Viu medo-
mas também coragem.
Ela viu
dureza- Mas também dor.
O chefe
dobando gritava ordens.Os homens recolhiam mantimentos,armas, dinheiro, Moreno
permaneceu parado por um segundo a mais do que devia.
Ela não
baixou os olhos.
E naquele
instante perigoso, nasceu algo que nenhum dos dois sabia nomear- mas que o
sertão cobraria caro.
_Moreno !
gritou um dos cabras.
_Bora
Ele montou
no cavalo sem deixar de encará-la.
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