terça-feira, 24 de março de 2026








MEU  LIVRO  ENTRE O AMOR E O PUNHAL.

uma aventura no sertão nordestino



 A NOITE DO ESTOURO.

O sertão estava rachado.

A terra parecia couro velho,estalando sob os pés de quem ousasse caminhar ao meio dia.O vento levantava como alma penada pelas veredas secas.

Na fazenda Riacho Fundo ,Maria das Dores olhava o horizonte tingido de laranja.o pôr do sol no sertão sempre parecia incêndio. E naquela tarde , o coração dela queimava do mesmo jeito.

_Pai ..eu não quero esse casamento_ disse , a voz firme apesar dos olhos marejados.

Seu Raimundo  nem levantou o olhar as mãos calejadas apertavam o chapéu de couro.

_Não é questão de querer ,Dorinha . É questão de precisar. O coronel Firmino não espera. Ou você casa com o filho dele...ou perdemos tudo.

Ela sentiu o mundo encolher. Não era amor. Nunca seria.Era acordo Era dívida. Era sentença.

Antes que outra palavra fosse dita, o silêncio do sertão foi rasgado.

Um estampido, depois outro, cavalos, gritos.

_É cangaceiro! –Berrou um dos vaqueiros ,correndo pelo terreiro.

O bando surgia como uma miragem de pesadelo: chapéus de aba virada.cartucheiras cruzando o peito, punhais reluzindo na luz do crepúsculo.

À frente vinha ele. Antônio Moreno.

Os olhos escuros varreram o terreiro até encontrarem os dela.

Foi rápido, foi silencioso, Mas foi como se o mundo inteiro tivesse parado.

Ela não viu o bandido.

Ele não viu fazendeira.

Viu medo- mas também coragem.

Ela viu dureza- Mas também dor.

O chefe dobando gritava ordens.Os homens recolhiam mantimentos,armas, dinheiro, Moreno permaneceu parado por um segundo a mais do que devia.

Ela não baixou os olhos.

E naquele instante perigoso, nasceu algo que nenhum dos dois sabia nomear- mas que o sertão cobraria caro.

_Moreno ! gritou um dos cabras.

_Bora

Ele montou no cavalo sem deixar de encará-la.

E então partiram, levantando 

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