terça-feira, 24 de março de 2026

 

 

minha querida netinha Eliza

meu livro marés de saudade é um romance lindo no litoral da Bhaia


 


MARÉS DE SAUDADE.

. MENEZES, Carlos Augusto Prates de. MARÉS DE SAUDADE / Carlos Augusto Prates de Menezes. Ed. Clube de autores. 2026.

 Copyright "©" 2025. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução parcial ou total, por qualquer meio. Lei Nº 9.610 de 19/02/1998 (Lei dos direitos autorais). 2026. Escrito e produzido no Brasil.

 

 

Essa história é totalmente fictícia, personagens e lugares são de pura imaginação do autor.

 Dedico esta obra a 

minha querida esposa e filhos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MARÉS DE SAUDADE.

O RETORNO.

 O ônibus parou com um suspiro cansado,levantando uma pequena nuvem de poeira na estrada de terra.

Ana demorou alguns segundos antes de se levantar . Segurava a alça da bolsa com força, como se aquilo pudesse impedir o coração de disparar.

A placa simples dizia:Bem-Vindo a Porto das Marés.

Nada tinha mudado.

O calor envolvia tudo como um abraço antigo. O cheiro de dendê, maresia e terra molhada trouxe lembranças que ela passou anos tentando esquecer. Ao descer os degraus  do ônibus, sentiu o peso invisível do passado pousar sobre os ombros.

Sete anos.

Sete anos desde que partiu sem olhar para trás.

E agora estava ali outra vez.

Caminhou devagar pela rua principal. As casas  continuavam pintadas de azul, amarelo e verde.

Um rádio antigo tocava um samba distante.                                              Crianças corriam descalças. Um vendedor empurrava um carrinho de cocadas.                                                                                                                                                                                                                  

Tudo parecia intacto.

Menos ela.

Ana havia mudado. A cidade grande a ensinara a endurecer o olhar, a falar menos, a confiar menos ainda.

Mas ali , cada esquina ameaçava desmanchar as muralhas que construiu dentro de si.

Quando dobrou a esquina da igreja branca no alto  da ladeira , o coração tropeou.

A mesma igreja, o mesmo sino.

O mesmo banco onde ela e Miguel costumavam sentar depois da missa , dividindo sonhos maiores que o mundo.

Ela desviou o olhar.

Ainda não estava pronta.

A casa da avó ficava no fim da rua, cercada por um jardim que sempre florescia mesmo nos verões mais secos. Ao empurrar o portão rangente, sentiu um nó na garganta.

A mangueira ainda estava lá.

E o balanço também.

Quantas tardes ela passou ali rindo, acreditando que nunca mudaria nada?

Respirou fundo antes debater na porta.

Foi aberta antes mesmo do segundo toque.

_Minha filha.

A voz trêmula da avó Maria quebrou tudo dentro dela.

Ana não respondeu. Apenas se jogou nos braços daquela mulher pequena que cheirava a café e carinho.

E chorou.

Chorou pelos anos perdidos.

Pelas palavras não ditas.

Pelo amor que deixou para trás.

Nquela noite , enquanto o vento trazia osom domar pelas frestas da janela, Ana percebeu algo que tentou ignorar o dia inteiro.

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