meu livro marés de saudade é um romance lindo no litoral da Bhaia
MARÉS DE
SAUDADE.
. MENEZES,
Carlos Augusto Prates de. MARÉS DE SAUDADE / Carlos Augusto Prates de Menezes.
Ed. Clube de autores. 2026.
Copyright "©" 2025. Todos os
direitos reservados. Proibida a reprodução parcial ou total, por qualquer meio.
Lei Nº 9.610 de 19/02/1998 (Lei dos direitos autorais). 2026. Escrito e
produzido no Brasil.
Essa
história é totalmente fictícia, personagens e lugares são de pura imaginação do
autor.
Dedico esta obra a
minha querida esposa e filhos
MARÉS DE
SAUDADE.
O RETORNO.
O ônibus parou com um suspiro
cansado,levantando uma pequena nuvem de poeira na estrada de terra.
Ana demorou
alguns segundos antes de se levantar . Segurava a alça da bolsa com força, como se aquilo pudesse impedir o coração de disparar.
A placa
simples dizia:Bem-Vindo a Porto das Marés.
Nada tinha
mudado.
O calor
envolvia tudo como um abraço antigo. O cheiro de dendê, maresia e terra molhada
trouxe lembranças que ela passou anos tentando esquecer. Ao descer os
degraus do ônibus, sentiu o peso
invisível do passado pousar sobre os ombros.
Sete anos.
Sete anos
desde que partiu sem olhar para trás.
E agora
estava ali outra vez.
Caminhou
devagar pela rua principal. As casas
continuavam pintadas de azul, amarelo e verde.
Um rádio
antigo tocava um samba distante.
Crianças corriam descalças. Um vendedor empurrava um carrinho de
cocadas.
Tudo parecia
intacto.
Menos ela.
Ana havia
mudado. A cidade grande a ensinara a endurecer o olhar, a falar menos, a
confiar menos ainda.
Mas ali ,
cada esquina ameaçava desmanchar as muralhas que construiu dentro de si.
Quando
dobrou a esquina da igreja branca no alto
da ladeira , o coração tropeou.
A mesma
igreja, o mesmo sino.
O mesmo
banco onde ela e Miguel costumavam sentar depois da missa , dividindo sonhos
maiores que o mundo.
Ela desviou
o olhar.
Ainda não
estava pronta.
A casa da
avó ficava no fim da rua, cercada por um jardim que sempre florescia mesmo nos
verões mais secos. Ao empurrar o portão rangente, sentiu um nó na garganta.
A mangueira
ainda estava lá.
E o balanço
também.
Quantas
tardes ela passou ali rindo, acreditando que nunca mudaria nada?
Respirou
fundo antes debater na porta.
Foi aberta
antes mesmo do segundo toque.
_Minha
filha.
A voz
trêmula da avó Maria quebrou tudo dentro dela.
Ana não
respondeu. Apenas se jogou nos braços daquela mulher pequena que cheirava a
café e carinho.
E chorou.
Chorou pelos
anos perdidos.
Pelas
palavras não ditas.
Pelo amor
que deixou para trás.
Nquela noite
, enquanto o vento trazia osom domar pelas frestas da janela, Ana percebeu algo
que tentou ignorar o dia inteiro.

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